Aprender a ter medo

Ser mãe, para mim, tem sido aprender a ter medo.

Por natureza, sou uma pessoa que não tem medo de nada, faço qualquer coisa sem pensar muito no assunto. Mas, a partir do momento em que surgiu a M, tive que aprender a gerir o medo. Desde que nasceu, “será que está a respirar bem?”, “será que vai ficar doente?”, “será que se vai engasgar?”, “será que vai cair?”. Na realidade, eles são muito menos frágeis do que pensamos e adaptam-se a tudo muito facilmente, mas o subconsciente de mãe fala mais alto e, ao levá-la à natação, dou por mim inconscientemente a recapitular mentalmente o curso de suporte básico de vida pediátrico.

Pela primeira vez na vida, o mundo apresenta-se como uma série de ameaças à integridade física da “coisa” mais preciosa que tenho no mundo. Até então, o medo era um sentimento praticamente desconhecido.

O eu científico, racional, fica de lado e todas as certezas se tornam dúvidas irracionais.

Nesse sentido (e em tantos outros claro), tem sido uma experiência de aprendizagem pessoal muito importante, o conseguir contrabalançar o medo com a vontade de a ver crescer, evoluir e viver novas experiências. E ela tem lidado maravilhosamente com todos os novos desafios.

Aprender a ter medo, este medo que durará a vida toda, de que algo lhe aconteça, de que precise de mim e eu não esteja lá, tem sido maravilhoso, aprender a ser mãe.

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